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17 de jun. de 2010

Elementar meu caro palco...

Depois de um tempo, to voltando a postar...
Vou relembrar uma aula especial: A aula da Gra de improvisação foi mágica... esperávamos ser uma aula como as últimas, trabalhando nas cenas e apresentando pra ela... Mas a experiência que vivenciamos ontem foi única.
Depois de um aquecimento corporal e vocal, a Gra pediu que, no lugar em que estivéssemos fechássemos os olhos e começássemos a trazer nossa consciência pro corpo, deixando os pensamentos vir e passarem.
Depois pediu que levássemos a atenção pro pé, sentindo ele no chão, a temperatura do pé, a temperatura do palco, eque começássemos a imaginar que dos pés saíssem raízes que fossem crescendo e aprofundando no solo, até chegar no centro da terra, e que sentíssemos a energia que essas raízes puxavam e que ela contaminasse o corpo até que nosso corpo virasse terra, de olhos fechados vizualizei meu corpo se transformando num corpo de terra, vermelha-escura, e sempre em movimento, forte, avassaladora. Essa imagem trouxe uma fúria, mas não contra ninguém, uma fúria que movia essa terra e fosse rompendo os espaços e se espalhando, com peso, mas com velocidade, mas sempre no plano alto...
Depois a Gra pediu que acalmássemos a terra no corpo e a guardássemo num ponto abaixo do ventre. Demorou para a força da terra que se localizava nas pernas subissem, e por alguns instantes ainda senti minhas pernas com a tonicidade que surgiu durante os movimentos da terra.
Depois a atenção se voltou para o ponto do corpo logo abaixo do umbigo, e fomos orientados a sentir a água que temos no corpo, rins, bexiga, útero(para as mulheres), e que imaginássemos que desse ponto surgisse um olho d'água, e que desse olho d'água saíssem fios de água que fossem tomando todo o corpo até que nosso corpo fosse água, meu corpo, no plano baixo, se tornou um rio, que foi desde a nascente, calmo, até alcançar as corredeiras, velozes, meus braços eram as ondas que quebravam nas pedras. Mais uma vez fomos acalmando a água e levamos nossa atenção a outro ponto do corpo, a barriga e que vizualizássemos uma pequena chama saindo dela, e que essa chama fosse crescendo até tomar conta de todo o corpo. Vi meu corpo tomado pelas chamas e depois ele se tornou uma imensa chama, passei do plano baixo pro médio e do médio para o alto, e meus braços lançavam labaredas por todo o teatro. Novamente o fogo se acalmou e a atenção agora era pra garganta, e respirando, sentíamos o ar passar por ela, entrando nos pulmões e saindo por ela, até que éramos vento, ar... me vi como uma brisa q ora ia calma e de repente tomava maior velocidade, mas sem violência, apenas para movimentar, refrescar...
Acalmamos novamente o corpo, e lentamente abrimos os olhos, o grupo inteiro estava numa concentração rara, um silêncio, introspectivo, todos guardando e sentindo ainda a energia que brotou desse exercício, o que ajudou muito para a aula de dança do João que rendeu um progresso na montagem da coreografia.