É impressionante como certas aulas vêm no momento certo.
A aula de canto do ABC ontem foi uma dessas pra mim!
Devido a um enorme conflito interno, ontem não estava nos meus melhores dias, minha criança e meu adulto interno resolveram brigar, feio. E quando isso acontece é devastador, pois minha criança grita muitas vezes dentro de mim, me leva para lugares confortáveis, me traz sensações boas... mas muitas vezes me transforma num menino de novo, e meu adulto puxou minhas orelhas quando percebeu que isso estava passando impressões erradas sobre minha maturidade para assuntos mais sérios... emfim... brigaram! rs
"Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração, toda vez que o adulto balança o menino me dá a mão!"
Na aula de canto, o ABC pediu para que levássemos a sério o exercício e usássemos bastante concentração. Pediu que caminhássemos pelo palco e em determinado momento pediu que párassemos, fechássemos os olhos e lembrassemos de quando tínhamos 7 anos de idade, de quando éramos crianças novamente. Depois pediu que lembrássemos do que mais gostávamos de brincar, lembrei de jogar bafo, eu adorava colecionar figurinhas e álbuns... ele pediu que trouxéssemos pro corpo e começamos a brincar no palco... as brincadeiras foram se misturando e logo eu estava pulando amarelinha, e depois jogando bafo com o Thiago. VI pessoas brincando de passa-anel... lembrei muito da hora do recreio no Auxiliadora (colégio que estudei minha vida toda).
Depois o ABC pediu que retomássemos o corpo do ator, em pé, concentrados. Sorteou duplas, sendo que eu caí com o Vanderlei.
Explicou que um seria o Anjo mais velho, e o outro a criança. A criança se deitava no colo do Anjo, deolhos fechados. Fui o Anjo primeiro, e seguindo as orientações passadas pelo ABC, cantei uma música que lembrava a minha infância, no meu caso "A lenda do Pégaso" de Moraes Moreira
Depois o ABC pediu que acordássemos a criança, e conversássemos com ela, sobre o que gostavam de brincar, do que tinham raiva, e depois a colocávamos pra dormir.
Fizemos a troca, e fui imerso na minha infância novamente, a minha criança não só gritava emmim,mas tomou conta de mim, o jeito de falar, de contar as coisas... lembrei da minha primeira paixonite de crianças, a Larissa... lembrei domeu primeiro inimiguinho e bully, Alexander, dos meus dois melhores amigos de bagunça e conversa, das broncas da irmã Therezinha, das músicas do coral da missa... Me surpreendi quando o meu Anjo, Vanderlei, conhecia uma das músicas que cantávamos na aula de religião "Um dia uma criança me parou..."
Então adormeci como criança, e precisei voltar ao corpo do ator... então veio o choque, vi que era tão bom ser criança, que todos estavam vivos, que os problemas eram pequenos... lembrei de minha avó, do meu pai... de amigos que nunca mais vi... não contive a emoção... assim como muitos que percebi não terem contido!
Depois o ABC ouviu de cada um como foi a experiência do exercício e disse o motivo de te-lo passado pra gente, pois ele quer que no palco, sempre resgatemos nossa criança, que ao cantar, nossa criança esteja mais viva do que nunca, que sejamos crianças em corpos de adulto. Nunca vi uma aula casar tão bem com o momento em que eu esteja passando.
Como diria Casemiro de Abreu, "Oh que saudades que tenho da aurora de minha vida, da minha infãncia querida que os anos não trazem mais!"
Na aula de Expressão Corporal, o Renato passou um breve aquecimento para que apresentássemos as cenas de pantomima. A minha cena consistia em ver uma flor dentro de uma redoma, tentar retirar a redoma puxando, perceber que não é puxando que se tira, rosquear a redoma, coloca-la no chão, pegar a flor, cheira-la, fazer"mal me quer, bem me quer" com ela, coloca-la no lugar, recolocar a redoma e sair... segundo o Renato, eu preciso trabalhar mais o abandonar dos movimentos. Achei muito interessante os trabalhos da Malba e da Rebeca, deu pra visualizar bem seus elementos.
A palavra pra encerramento foi compromisso, o que será muito necessário para a montagem do trabalho de encerramento do semestre!
Ah, meu adulto ainda não fez as pazes com minha criança, mas to tentando fazer eles chegarem num acordo!
Basta!
Há 12 anos
