Na aula de interpretação do Julio, aquecemos o corpo relembrando a brincadeira do pega-pega de bunda rs... depois o Julio deixou que fizéssemos o alongamento e aquecimento vocal livremente, em roda e conduzidos pelo Paulo dessa vez.
Assistimos as cenas restantes do exercício da familia e, pra mim, começou a aparecer algumas evoluções vindas do esforço e da dedicação de alguns, como no caso da Lorriane que está projetando melhor a voz, e do Junior, que conseguiu executar um trabalho mais dramático, diferente de seu estilo cômico sempre apresentado.
Depois do intervalo, a aula de técnica vocal da Claudinha foi substituída por um ensaio aberto do NIT (Núcleo de Investigação Teatral), algo que foi de extrema inspiração e vivência do trabalho que é possível alcançar quando se tem esforço e paixão pelo o que fazemos. Antes de iniciar o exercício, o professor e coordenador do NIT, e também meu mestre no teatro, Zé Maurício deu uma breve apresentação explicando que o trabalho tem em sua base os elementos, mas que eles estava escondidos, pois eram apenas a base para a construção do trabalho.
Começou por um trabalho de "clown", os atores se espalharam por todo o espaço e cada um tinha uma característica, a carinhosa, a falante, o tímido, a chorona, o agitado, o blazé... enfim, cada um transformando o seu ridículo em algo cômico.
Um vaso foi trazido para o palco, e cada um deles colocou algo lá dentro que não era revelado para quem estava assistindo. Depois que todos eles apresentaram seus "clowns" e sem interrupção ou pausa no exercício, foi dado início a segunda parte.
Me encantei com os trabalhos corporais dos atores, precisos, orgânicos, apesar de incomuns eram naturais. O mesmo trabalho foi apresentado de maneiras diferentes, mas não na mesma ordem pra cada ator.
Vi algumas sequencias de movimentos serem contadas movimento por movimento, porém com intenção e emoção de maneira que, apesar da contagem, prendia a minha atenção. Depois essa mesmo sequencia com o texto, dando a mesma tonalidade da contagem. Outras seqüencias foram feitas também sentados apenas, usando apenas o tronco para o movimento e outra vez apenas a expressão facial.
O mais impressionante foi que vimos primeiramente os movimento individuais, e em seguida foi apresentado em dupla, cada um fazendo a sua própria sequencia e texto, mas tendo uma comunicação entre eles que chegou em muitos momentos a parecer ter sido modelado, de tamanha plasticidade. O mais incrível é que nada daquilo havia sido combinado, a criação foi individual e não alterada quando as duplas se formaram no processo de criação, apenas se encaixaram perfeitamente.
Vi os elementos em vários momentos, no movimento do corpo, na voz...
Para encerrar o exercício, cada um voltou ao seu "clown" e encerraram revelando o que cada um colocou dentro do vaso, e dando de presente pra alguém da platéia, eu ganhei um garfinho amarelo de plástico que está guardado lá em casa!
Depois de aplaudidos de pé, teve um bate papo muito bom, onde passamos pra eles o que sentimos e observamos ao assistir, foi falado sobre como conseguiram atingir aquela precisão no trabalho. Não era algo que veio de fora, um processo externo, mas sim um processo interno que fez com que os movimentos fizessem parte do ator naturalmente.
Me impressionei quando foi revelado que o texto que a Graci apresentou não foi encaixado nos movimentos, mas sim surgiu a partir dos movimentos que ela criou.
Fui pra casa com uma sensação de quem matou uma fome gigantesca...rss.. pois, pra mim, assistir a isso foi um verdadeiro alimento pra minha alma de ator, me faz querer me buscar cada vez mais, e alimenta a certeza de que quero isso pra minha vida!
Obs.:Hoje acordei e me peguei no banho fazendo alguns movimentos... ria quando percebia. Fui mesmo contagiado.
Basta!
Há 12 anos
