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15 de mai. de 2010

Literalmente, um novo ângulo...

Assisti novamente a peça "A Missa do Galo"...
Dessa vez me sentei mais a frente nas cadeiras laterais, é interessante assistir uma mesma peça de um ponto diferente de um mesmo teatro.

Claro que nenhuma apresentação é igual a outra, mas me refiro ao fato de podermos observas coisas diferentes ao assistir a peça de um outro ângulo!
Observei melhor os olhares, pude ver os movimentos com mais detalhes...
A peça foi um pouco mais rápida do que a primeira vez, pensei ter sido apenas impressão, por talvez já ter assistido, é como ver um filme (bom) pela segunda vez, passa rápido.. mas realmente a peça foi mais rápida.

Acredito que pelo cansaço talvez, a energia dos atores em palco estava um pouco menor do que na primeira vez, principalmente nos primeiros minutos da peça, mas nada que chegasse a ponto de estragar ou diminuir o prazer de assistir a peça. Pelo contrário, sai do teatro tão satisfeito em ver um bom espetáculo quanto da primeira vez.

Pude ver algo que da primeira vez não tinha conseguido reparar devido o lugar que ocupei na platéia, ao agradecer o público, ambos os atores tocam o palco com as mãos e repetem o mesmo gesto ao sair do palco pro camarim... achei isso bonito, simbólico!

Bom fim de semana a todos!

14 de mai. de 2010

Uma peça de conflitos

A peça "A Missa do Galo", inspirada no conto homônimo de Machado de Assis, foi simplesmente maravilhosa.
Duas gerações, um mesmo personagem, vários conflitos.
A peça transita pelo passado e presente do personagem, sendo interpretado por dois ótimos atores cada um representando a visão madura e ingênua do mesmo, a memória do personagem, que muitas vezes entra em conflito com si mesmo na lembrança de Conceição, a primeira mulher mais velha que desperta nele o desejo.
Podia ser clichê, o ingênuo rapaz do interior visitando pela primeira vez a cidade grande, a mulher casada, infeliz, seduzindo o rapaz mais novo... mas não houve nada de clichê.
Os atores nos apresentaram os conflitos desses personagens. A sanidade versus o devaneio, a pureza versus o desejo, a inocência versus a maturidade, a idealização versus a imperfeição, a memória versus o esquecimento, a vontade de agir versus o medo da consequencia... enfim, conflitos interpretados e simbolizados de maneira clara e plástica e com bom humor, com o pano de fundo de um conflito que surge a partir de todos esses, ir a Missa do Galo ou ficar com aquela mulher que desperta tantos sentimentos novos?
O interessante foi ver tanta coisa que estamos aprendendo sendo executadas em uma única peça: o exercício do Espelho, o texto encaixado aos movimentos do ator, a partitura de movimentos, as propriedades dos movimentos... pra mim, em especial, a construção da personagem feminina pelos atores masculinos, o corpo, a postura, o modo de falar.
Penso que o Renato vá se deliciar com essa peça, já que os atores apresentam um trabalho de corpo impressionante.
Enfim, uma ótima peça que serviu como aula para nós, onde pudemos ver como é aplicado tudo que estamos aprendendo.